'Por que foram removidos?': boletins de ocorrência rasurados alimentam dúvidas sobre registros do 'Caso Varginha'
boletins de ocorrência rasurados alimentam dúvidas sobre registros do Caso Varginha Trinta anos após o episódio conhecido como "Caso Varginha", um dos ponto...
boletins de ocorrência rasurados alimentam dúvidas sobre registros do Caso Varginha Trinta anos após o episódio conhecido como "Caso Varginha", um dos pontos que mais levanta questionamentos está nos registros oficiais feitos no dia 20 de janeiro de 1996. Boletins de ocorrência da época apresentam rasuras, renumerações e lacunas, o que, segundo pesquisadores, dificulta a reconstituição completa dos fatos. Por meio da Lei de Acesso à Informação, um pesquisador conseguiu cópias dos boletins registrados naquele dia. A análise dos documentos revelou inconsistências nos números sequenciais e a ausência de parte dos registros que, originalmente, deveriam constar nos arquivos da polícia. 📺 Durante esta semana, em que o "Caso ET de Varginha" completa 30 anos, a EPTV exibe uma série especial com trechos inéditos do documentário "O Mistério de Varginha", que está disponível no Globoplay. Uma coprodução entre Estúdios Globo e EPTV, a série documental revisita um dos casos ufológicos mais conhecidos do mundo, que projetou a cidade mineira internacionalmente após relatos de encontros de moradores da cidade com criaturas extraterrestres. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram “Se a gente pega os boletins que existem do dia 20, só existem nove. Quando você observa os números sequenciais, vê que todos foram rasurados, corrigidos com corretivo e renumerados. Além disso, conseguimos os originais, com a numeração inicial, e percebemos que 19 boletins simplesmente desapareceram. Por que esses boletins foram removidos?”, afirmou o pesquisador de fenômenos anômalos Rony Vernet. VEJA TAMBÉM: O que se sabe e o que nunca foi explicado sobre o caso INFOGRÁFICO: veja a linha do tempo do 'Caso ET de Varginha', que completa 30 anos FAÇA O QUIZ: teste seu conhecimento sobre o caso ET de Varginha Boletins de ocorrência rasurados alimentam dúvidas sobre registros do Caso Varginha Reprodução EPTV Segundo ele, os registros existentes mostram uma lacuna significativa no período da manhã. Há um boletim por volta das 10h e, depois, os próximos registros só aparecem à noite. O ex-comandante do Corpo de Bombeiros, em Varginha, afirma que não houve tentativa de ocultar ocorrências e atribui as inconsistências a falhas comuns nos registros manuais. “As ocorrências não eram digitalizadas, era tudo feito à mão. Se tivesse erro em uma numeração, às vezes era preciso corrigir várias. Isso pode ter acontecido naquele dia”, explicou Pedro Alvarenga, ex-comandante do Corpo de Bombeiros. Pesquisador conseguiu acesso a boletins de ocorrência do dia do Caso ET, que estavam rasurados Reprodução EPTV Ele também nega que qualquer atendimento fora do comum pudesse ter sido escondido da corporação. “Não teria como o pessoal ter feito um atendimento desse tipo e ficar escondido. Se tivesse acontecido algo extraordinário, isso teria virado comentário entre nós. Não tinha como guardar um segredo assim”, afirmou. Movimentação do Exército na cidade Um dos pontos mais citados sobre o caso envolve a presença de caminhões do Exército, ligados à Escola de Sargentos das Armas (ESA), circulando por Varginha, especialmente na região do bairro Jardim Andere, no dia 20 de janeiro de 1996 e nos dias seguintes. Moradores afirmam que viaturas militares, polícia e Corpo de Bombeiros teriam isolado áreas da cidade. “Varginha parou. A cidade parou na época, porque teve o movimento da ESA. O Exército cercou um bairro, polícia, Corpo de Bombeiros, tudo parou. Fechou, isolou todo mundo, nem os moradores conseguiam entrar ou sair”, relatou o cafeicultor Tiago Rezende. Leia também: Médico diz que escondeu relato sobre suposta criatura em hospital de Varginha até da família: ‘Eu sei o que eu vi' Ufólogo que ajudou a projetar caso ET de Varginha diz que história não existiu: 'Não acredito em mais nada' Palestrante, vendedora de pão de queijo e dona de casa: como vivem 'meninas' que dizem ter visto ET em Varginha Movimentação de caminhões do Exército chamou atenção de moradores em Varginha em 1996 Reprodução EPTV As movimentações militares motivaram a abertura de um Inquérito Policial Militar, com quase 400 páginas e depoimentos de 26 pessoas. Segundo o relatório, os caminhões estavam na cidade para manutenção mecânica em uma concessionária. “Na época, a Escola de Sargentos das Armas tinha adquirido alguns caminhões. Quando se trocava um pneu, precisava fazer alinhamento, e a ESA não tinha esse equipamento. A gente trazia os veículos a Varginha. Na semana do ocorrido, eu vim várias vezes”, afirmou o militar da reserva Ricardo de Mello. Relato sobre policial que teria capturado criatura Ufólogos também sustentam que, na noite do dia 20 de janeiro, uma viatura da Polícia Militar teria se deparado com uma suposta criatura. Segundo essa versão, dois policiais estavam no veículo. Um deles nunca falou sobre o assunto. O outro, Marco Eli Chereze, teria participado da captura e morreu 26 dias depois, aos 23 anos. “Ele participou da captura. São palavras dele. Esse caso ainda vai dar muito o que falar”, disse à época Marta Tavares, irmã do policial. Questionada agora se acredita que o irmão teve contato físico com a suposta criatura, ela respondeu: “Pode ser que sim. Um contato de pele, talvez. Eu acredito que sim. Ele participou da captura.” Morte do policial Marco Eli Chereze é um dos eventos mais marcantes do Caso ET de Varginha Reprodução EPTV Morte do policial e laudos médicos O laudo oficial aponta que Marco Eli Chereze morreu por embolia pulmonar, com insuficiência de oxigênio no coração e congestão no fígado. “Ele chegou com uma pequena lesão, evoluiu com dor na coluna, pneumonia e depois septicemia, uma infecção generalizada”, afirmou o médico legista Armando Fortunato, que participou do atendimento. Outro médico Legista, João Baptista Macuco Janini, declarou à equipe de "O Mistério de Varginha" que nunca viu um caso semelhante em décadas de carreira. “A bactéria se disseminou pelo organismo. Com mais de 50 mil autópsias, eu nunca vi nada igual. A bactéria estava na unha do ET”, disse. Doutor Janine, que participou da autópsia de policial que teria participado de captura em Varginha Reprodução EPTV Testemunhas cobram reconhecimento oficial Passadas três décadas, as mulheres que afirmam ter visto a criatura em um terreno baldio seguem defendendo o relato e pedem um reconhecimento oficial. “A gente quer que um dia alguém chegue e diga: foi verdade. A gente pegou, levou, e isso aconteceu”, afirmou a professora Liliane Silva. "Nada acontece por acaso. A gente cortou o caminho, passou por um terreno, a gente não estava acostumada, a gente viu a criatura, a gente viu, né, viva ainda, né. Então a gente é especial. Esses 30 anos fez a cabeça da gente entender que a gente é especial, que a gente é escolhida", completou Liliane. “Quem está esperando a verdade somos nós”, disse Kátia Xavier, cuidadora e palestrante. Mulheres que afirmam ter visto ET aguardam reconhecimento oficial Reprodução EPTV O Mistério de Varginha Ao longo de três episódios, a série documental “O Mistério de Varginha” revisita o caso que ganhou repercussão internacional há 30 anos no Sul de Minas, reunindo depoimentos inéditos, além de documentos, áudios, arquivos históricos e registros oficiais nunca exibidos. A investigação apresenta diferentes versões sobre o que teria acontecido na cidade e confronta relatos que marcaram o episódio. Entre os entrevistados estão personagens centrais da história, como o ufólogo Ubirajara Rodrigues, o primeiro a investigar o caso. A série aborda a mudança de posição dele ao longo dos anos, já que, depois de defender a existência da suposta criatura, passou a afirmar que ela nunca existiu. O documentário também traz depoimentos de militares, relatos de moradores e a recuperação de materiais jornalísticos da época. TV Globo exibe série documental ‘O Mistério de Varginha’ Jackson Amorim/EPTV A produção acompanha ainda Kátia, Liliane e Valquíria, conhecidas como as “três meninas do ET”, que relembram o episódio e mostram como estão atualmente. Dirigida por Ricardo Calil e Paulo Gonçalves, a série vai ao ar após O Auto da Compadecida 2 e também ficará disponível no Globoplay, com produção executiva de Fernanda Neves e direção artística de Monica Almeida. Veja FOTOS dos bastidores: Infográfico 30 anos do Caso ET de Varginha Arte/g1 O Mistério de Varginha Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas